Canção do Exílio (ou Martírio)
Minha casa tem goteiras.
Onde ponho o balde pra pingar;
A água que aqui goteja,
Não goteja como lá.
Têm furos nas minhas telhas,
Nas paredes mais bolores,
Os rebocos têm mais hifas,
E têm elas seus odores.
Em ciscar, sozinho, a noite,
Mais fazer encontra-me cá;
Minha casa tem goteiras,
E eu ponho o balde pra pingar.
N'alguma terra tem pintores,
Que tais quais não encontro por cá;
Em ciscar um soninho à noite
mais escorrer eu ouço cá;
Minha casa tem goteiras,
Que já cansei de enxugar.
Não permita Deus que eu morra,
Vendo essa casa pingar;
Sem que fuja dos bolores
Que cansei de suportar;
Sem q'eu conserte tais porqueiras,
E não veja mais nada a pingar.
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Meti-me a poeta e pedi a devida licença.
Onde ponho o balde pra pingar;
A água que aqui goteja,
Não goteja como lá.
Têm furos nas minhas telhas,
Nas paredes mais bolores,
Os rebocos têm mais hifas,
E têm elas seus odores.
Em ciscar, sozinho, a noite,
Mais fazer encontra-me cá;
Minha casa tem goteiras,
E eu ponho o balde pra pingar.
N'alguma terra tem pintores,
Que tais quais não encontro por cá;
Em ciscar um soninho à noite
mais escorrer eu ouço cá;
Minha casa tem goteiras,
Que já cansei de enxugar.
Não permita Deus que eu morra,
Vendo essa casa pingar;
Sem que fuja dos bolores
Que cansei de suportar;
Sem q'eu conserte tais porqueiras,
E não veja mais nada a pingar.
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Meti-me a poeta e pedi a devida licença.

