terça-feira, novembro 28, 2006

Canção do Exílio (ou Martírio)

Minha casa tem goteiras.
Onde ponho o balde pra pingar;
A água que aqui goteja,
Não goteja como lá.

Têm furos nas minhas telhas,
Nas paredes mais bolores,
Os rebocos têm mais hifas,
E têm elas seus odores.

Em ciscar, sozinho, a noite,
Mais fazer encontra-me cá;
Minha casa tem goteiras,
E eu ponho o balde pra pingar.

N'alguma terra tem pintores,
Que tais quais não encontro por cá;
Em ciscar um soninho à noite
mais escorrer eu ouço cá;
Minha casa tem goteiras,
Que já cansei de enxugar.

Não permita Deus que eu morra,
Vendo essa casa pingar;
Sem que fuja dos bolores
Que cansei de suportar;
Sem q'eu conserte tais porqueiras,
E não veja mais nada a pingar.

-------------

Meti-me a poeta e pedi a devida licença.

sábado, novembro 11, 2006

Sabe uma daquelas noites vazias?

E já é amanha
Acho que nem uma daquelas fugidas à Rua Baker resolveria
Ele com o smog
Aqui, chovendo lerda a fria garoa. Brilha
Sem muitas luzes lá fora, mas poucas fazem cair diamantes
.........que num toque se desfazem
..........................................ou aglutinam
Parece que falta um pedaço, ou alguma coisa (a mais)
Telefono.
Não resolve muito, já espero algo similar
E então, o amor, Tu nos ensina? Ou Deixas que aprendamos com o açoite diário?
Perdoe cá o pobre diabo, mas hei de pensar ainda que os dois nos são ministados com a mesma mão.
Assim, toda cicatriz é uma lembrança;
toda dor é uma dose de etileno

Vazia... vazia... .........................Mas ainda temos muito
.................................................escondido por descobrir, as
.................................................esperanças estão aí
..........................só falta-nos procurar direito!..............=]
Ah, tal regurgitação. Vã?

........Pois sim................-..................Pois não

E quando o papel acaba?
..........................................O que nos resta afinal?

Uma boa noite, portanto.