terça-feira, março 17, 2020

Eu sou o ego
Salomão de Javé
Interior e fé
Cabresto vasto e roxado
duma vez mantém puxado
Sina justa do enjaulado
Sinal puro endividado
O real que não pode renascer
Preso em mais mesquinho ser
O coração do cavalo
A pele do violado
Violão bem tocado é o hino exaltado
Da dor de ser um vencedor

terça-feira, maio 06, 2014

A Insônia Interior é pra quem Usa Mal o Travesseiro

Num rompante a memória me assalta
destrói com violência a sanidade
Mata o sono
Mostra o eco oco das mil decisões que perderam a batalha.
O custo dos espólios é ferrugem e sangue
Estes, juntos com a história, permanecem na eternidade
de quem gosta de lembrar
ou não sabe esquecer
Ah! Difícil mesmo é ver o que mais está na frente pra perceber
Mesmo sabendo que o segredo é abrir os olhos.
E com tantos elementos e suas combinações não é suficiente
pra definir o que, por quê e como perambulas na Terra.
Na areia, água ou ar damos conta de sujar a tela
é restaurar uma arte antiga como dá na telha.
E viver imediatamente tão agoramente como antigamente
imaginando que o presente tem que ser feliz
tanto quanto aquele prato insosso que alimentaram os avós.
Vamos manter e engordar o auto-alter-ego esquizofrênico
mais teimoso que o seu Lírico, que vende peixe fresco a duzentas milhas do mar.
É ver a vida como uma disputa louca e absurda
contra si mesmo que é seu irmão do outro lado do espelho.
Seja talvez a falta de um vidro que reflita mais que você.
Como cê tá é fácil ver, mas como é mesmo dentro de você?
Só a perfeita união da interpretação de todos os elementos em sua diversidade.
É a união e desvencilhamento do que fede do que é belo dos pontos
cartesianos razoavelmente insanos das bordas do mundo,
a cachoeira que um dia criamos só pela adrenalina de saltar.
Até então o sono some, areia corre o tempo morre, e só o
seu relógio de verdade que não se queixa de marcar. Isso tudo
que você inventou.

terça-feira, novembro 06, 2012

A moeda constante


O consciente pede ao seu sub-congênere, que na verdade impera a real vontade, um auxílio quase divino para a têmpera correta da mente.
Na subida rodopiante da moeda fluem as forças do caos, atinge o ápice da parábola em equilíbrio entre inércia e gravidade.

Avisem que ao fim da queda é hora de resolver!
Cair de pé tem as mesmas chances do auxílio clamado chegar em puras resoluções.
Agonia mais dolorida é a que se sofre em silêncio, na quietude da própria mente.
É fechar os olhos em frente ao espelho. O reflexo ainda existe?

É esperar que o reflexo ainda não exista, junto com todos os nós de forca que vão se formando lentamente pelas tripas enquanto a moeda teima em permanecer.
Ah! Como podem as tripas serem tão apegadas a esse tal consciente?
Reviradas de asco pela sua própria natureza:
a vivência em um corpo regido por memórias rotas e mal agregadas.
É um órgão que te move.
Qual o órgão que te move?
Qual força move seu órgão?
Mova-seu, órgão!

O caos permanece

sexta-feira, fevereiro 25, 2011

A hora certa


E quando é?

Parar quando pára o coração ou o fluir nas mãos?

Ou parar para continuar, outra saída. Menos romântica:

Saída é ilusão, vamos pra outro buraco, galera! Mas é um buraco novo, novas pedras a cair pela sua cabeça e novas poças de areia movediça (puta buraco, hein!).

Buraco fundo, bem pra lá do fim do mundo, mas esse tá pra cá, pq o fim do mundo é a cova que vai enterrar seu buraco.

Então, macaco, pegue seus polegares opositores e erga ao firmamento para o que te desestabiliza.

Não é positivo responder ao bom com boas respostas?

Já não ligando muito pros sinais, postulemos que também é positivo responder boas respostas ao mal perguntador. Vai ver a culpa é da rede de ensino optada, afinal de contas.

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sexta-feira, julho 30, 2010

entre oras e as Horas

Alça-te a mão à lança que o fendes peito e de rubro rega as areias da espera pelo ideal de Arístocles. Motivos faltam para concernências quando a luva guia do machado é vazia como o amanhã e o forno tarda a fixar o trabalho de hoje do tal Oleiro.

Riachos se mantém intrépidos constantes com a subida dos actinos reprodutivos e na calmaria das borbulhas. Pra quem eterno, inabalável pelas inconstâncias do efêmero, intrépido no sol e céu, imbatível na memória geológica, vivo no coração de reis e falastrões.

Venha! Abram-se os portões do gládio! Preparem canhões e afiem suas lâminas! Correntes sempre foram seu fardo, e a elas sucumbirás no caminho da glória. A vida ou isto!
O desejo ao fim do espetáculo é consoante aos que saudaram a morte ou aos esquivantes pela vida repleta de vida?

Vida? Morte à vida comedida!

Onde todos os fins se tornam inícios, passos são saltos e eternidades lapsos de ébrias memórias opacas.

Inícios são desconsiderados no terreno irregular da caminhada longa e o fim é à sua frente. Esta é a verdade! Mas esta não há pouco elucubrada...

Rebentar é o fim do antes. Para o início ou fim.

Até que a fome alimentada, de beber à sede seja dado, fraquejas!

Ao encontrar a fonte dos passos, na pequena morte... Seco está o barro, e este agora é o ontem, que persevera nos olhos que cintilaram no riacho.

segunda-feira, junho 28, 2010

a saber:

a chuva já vem pra apagar todas as evidências marcadas no barro da trilha.
A chuva de controvérsias da memória cai diversas vezes sem nada macular o registro do presente eterno guardado onde mais se preza.
e nada mais é necessário quando se sabe o que dizer, como ouvir e sentir.
que o pra sempre cuide das memórias e nós cuidemos do amanhã.

sexta-feira, abril 09, 2010

de quem é a Força?

Quando Apolo se retira sem que Chronos se dê conta, é hora de reorganizar as varetas e novamente jogá-las ao prazer do caos.
Em demarcado tabuleiro, dedos trêmulos hesitam em manipular as peças: se alteradas, movem ao oposto ou à vitória.
Incautos os que seguem o caminho da inércia, interpretando-a como estado de equilíbrio das interações dinâmicas.
Antes de heróis, leviatãs e deuses, o poder primitivo da transformação é possuído pelo caos, a pura e bruta possibilidade do corriqueiro e do impossível se amalgamarem tão intimamente ao ponto que a tenuidade de seus limites fuja da percepção dos nossos meios.
Os olhos percebem o reflexo das cores, assim como os dedos, as texturas. As peças em suas ações individuais na forçada coexistência caótica da continuidade da expressão material em suas manifestações.
Quando o sol se pôr, eu quero estar na praia!

quinta-feira, novembro 26, 2009

Acabou a garantia...

"Antes de quebrar, o papel funcionava recebendo e absorvendo o excesso de coisas do cerebelo, ajudava a liberar espaço e organizar o cruzamento sem sinal de lá de dentro.
Agora parece que mudou a metodologia: ele só presta quando espreme tudo num bilhete de recados, e só pra reclamar de nada."


Escrito num bilhetinho de rascunho, num dia qualquer do mês passado, durante o horário de estágio.

quarta-feira, outubro 07, 2009

Sonhando em desenhos escritos

Então, um dia, ele quis desenhar. Desenhar pra mostrar seus sonhos pros seus olhos, porque eles não viam o que só aparecia no espelho da sua cabeça.
Do fundo do sótão voavam as borboletas contra os morcegos, mas o chão se cobria de Nitrogênio e asinhas coloridas. Seus sonhos eram escravos do escravo detrás da testa do menino. E ele não sabia escrever, daí não precisaria mostrar se desse pra contar.
Mas e agora? Como contar a seu cérebro, pelos seus olhos, palavras escritas pelos seus dedos que diziam coisas que saíam dele pro papel?
É quase como falar sozinho, mas com os dedos. Só que as palavras faltam mais vezes. Por que desenhar era difícil, se ele vem da cabeça e ela mesma que meche a mão? Talvez o desenho do sonho não fosse mesmo a cara do sonho, e o desenho usado só pra sonhar de novo.
No fim das contas, escrever não fazia a estória direito, mas até que ficava bonitinha. No fim das contas, desenhar não contava a história direito, porque sua cabeça não falava direito com seus dedos.
No fim das contas, o menino sabia sonhar.